Notícia

16 Jan, 2015

A fraternidade sacerdotal jesus cáritas

Buscando sempre o último lugar, Charles de Foucauld (1856-1916), padre francês que escolheu viver seu ministério entre os mais afastados, morreu solitário no deserto argelino em meio ao povo tuaregue. "Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto"(Jo 12,24). A partir da realização desta passagem bíblica em sua vida surgiram muitos frutos, um dos quais as fraternidades sacerdotais.

Assim, todos os anos os membros das fraternidades sacerdotais espalhadas pelo Brasil e o mundo encontram-se para participarem do retiro anual. Desse modo, de 06 à 13 de Janeiro deste ano 74 participantes entre padres, bispos, diáconos, seminaristas, leigos e leigas estiveram presentes no retiro que realizou-se na Comunidade Bethânia, na cidade de São João Batista-SC. A realização do retiro na Comunidade Bethânia, uma das casas de acolhida de dependentes químicos fundadas pelo Pe. Léo, proporcionou a rica experiência da interação com os membros acolhidos que travam violenta luta para superarem o calvário da dependência química.

D. Eugênio Rixen, Bispo de Goiás, o pregador do retiro, preparou as colocações a partir dos escritos de S. Bernardo e Santa Teresa D`Ávila, fontes nas quais bebeu Charles de Foucauld. Pontuado pelos traços marcantes da vida espiritual do "irmão Carlos" -despojamento, silêncio, deserto, trabalho manual, adoração eucarística-, paulatinamente o retiro foi encaminhando-se para seu momento central: o dia de deserto. Assim, na sexta-feira, logo ao raiar do dia, em meio à natureza exuberante da mata atlântica que por si só proporcionava o encontro com Deus, cada um saiu silenciosamente para o seu encontro pessoal com o Senhor, voltando somente ao cair da tarde para a Celebração Eucarística e a partilha do deserto.

         O legado deixado por Charles de Foucauld, o irmão universal, muito em sintonia com as inspirações do Papa Francisco, tem cada vez mais se configurado como uma resposta segura para os anseios da busca de uma espiritualidade consistente que responda ao pragmatismo, relativismo, consumismo, individualismo, sentimentalismo, enfim, ao vazio interior, aspectos marcantes dos tempos de hoje que inclusive permeiam nossas vidas e, por conseguinte, nossas paróquias, comunidades, seminários e presbitérios, numa palavra, nossa Igreja.   

 

Pe. Orlando de Almeida Alves

 

 

 

COMPARTILHAR