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18 Mai, 2026

DIOCESE DE ASSIS RUMO AO CENTENÁRIO

DIOCESE DE ASSIS RUMO AO CENTENÁRIO

CEM ANOS DE FÉ: O CHAMADO DE UM NOVO TEMPO

 

Cem anos não se resumem a um número. São décadas de fé vivida, de comunidades erguidas, de sacramentos celebrados, de vidas transformadas pelo Evangelho. A Diocese de Assis chega ao seu centenário — 1928–2028 — com uma história que merece ser contada, celebrada e, sobretudo, relançada. Este texto percorre as raízes dessa Igreja particular, recorda os pastores e o povo que a construíram, e lança o olhar para o futuro: um centenário que não é chegada, mas partida. Uma festa que só faz sentido se for, ao mesmo tempo, uma missão.

Uma semente plantada no coração do Brasil

Em 30 de novembro de 1928, o Papa Pio XI assinou a Constituição Apostólica Sollicitudo Universalis Ecclesiae e, com ela, nascia a Diocese de Assis — desmembrada da então Diocese de Botucatu, no coração do oeste paulista. Não foi por acaso que a nova circunscrição eclesiástica recebeu como padroeiro São Francisco de Assis, o pobrezinho que tudo abandonou para reconstruir a Igreja. Era um nome e um programa: uma Igreja que nasce pequena, mas cresce em profundidade, enraizada no Evangelho e no serviço ao povo. Esse programa se tornaria ainda mais nítido décadas depois, quando a Catedral diocesana recebeu o nome completo de Sagrado Coração de Jesus e São Francisco de Assis — unindo, numa só pedra, o amor infinito de Cristo e a radicalidade evangélica de Francisco: dois padroeiros, um único carisma missionário.

Os primeiros passos não foram fáceis. Dom Antônio dos Santos, CM, assumiu como primeiro bispo diocesano em 19 de março de 1930 e governou a diocese por mais de vinte e cinco anos, lançando as bases de uma Igreja que precisava se organizar num território vasto, de 9.165 km², espalhado por municípios do interior paulista. Naqueles anos, erigiram-se paróquias, abriu-se o Seminário Diocesano em 1936, fundou-se o Colégio Santa Maria em 1940 — sinais de uma Igreja que evangelizava com a fé e a cultura juntas.

Uma história de pastores e povo

Ao longo de cem anos, seis bispos diocesanos pastorearam esta Igreja particular, cada um imprimindo seu carisma e seu coração nesta terra. Dom José Lázaro Neves, CM (1956–1977), conduziu o rebanho por mais de duas décadas, acompanhando os ventos de renovação do Concílio Vaticano II. Foi sob seu episcopado que a Catedral diocesana foi inaugurada, em 1967, e foi ele quem pediu a Dom Antônio de Sousa, CSS, então bispo coadjutor, que realizasse a dedicação solene do templo — celebrada em 19 de junho de 1974, data que a diocese comemora até hoje como festa da Catedral. Um gesto significativo: a casa-mãe da diocese nasceu do esforço conjunto de dois bispos, como sinal antecipado de que a missão eclesial é sempre obra de comunhão. Dom Antônio de Sousa, CSS (1977–2004), governou por quase trinta anos — os mais longos de toda a história diocesana —, consolidando a Catedral do Sagrado Coração de Jesus e São Francisco de Assis como coração simbólico e litúrgico de toda a diocese. Nesse período, a diocese contou ainda com a presença pastoral de Dom Eugênio Adrian Lambert Rixen como bispo auxiliar (1996–1998), cujo ministério revelou algo essencial: a missão eclesial não se sustenta por um único pastor, mas pela comunhão de muitos que se ajudam a carregar o mesmo rebanho. A figura do bispo auxiliar é, ela mesma, um sinal teológico: a Igreja cresce quando coopera, quando partilha o peso do cuidado pastoral e não o concentra numa só mão. Dom Maurício Grotto de Camargo (2004–2009), Dom José Benedito Simão (2009–2015) — que faleceu no exercício do ministério episcopal, oferecendo sua vida como última doação a esta diocese — e, hoje, Dom Argemiro de Azevedo, CMF (2017–), nomeado pelo Papa Francisco: cada um deles é um elo da corrente de graça que chega até nós.

Mas a cooperação pastoral que tem sustentado os cem anos desta diocese não se resume ao episcopado. Ela tem rosto e nome em cada presbítero que percorreu estradas de terra para celebrar a Eucaristia em capelas rurais; em cada religioso e religiosa que educou, curou e consolou; em cada diácono que serviu à mesa e à Palavra; em cada leigo e leiga que abriu sua casa para a catequese, organizou festas de padroeiro, rezou o terço em família quando não havia padre, e sustentou a vida da comunidade com fé silenciosa e constante. É sobre esses ombros anônimos — e sobre a graça de Deus que nos tem animado — que a diocese chega ao seu centenário.

O centenário como graça e missão

Um centenário não é apenas uma comemoração. É um convite a fazer memória — não a memória nostálgica de quem olha para trás com saudade, mas a memória viva de quem reconhece na história a mão de Deus conduzindo seu povo. Como Israel no deserto era convocado a lembrar das maravilhas do Senhor para renovar a aliança, a Diocese de Assis é chamada, neste jubileu, a redescobrir o fio de ouro que atravessa cem anos: a fidelidade de Deus que nunca abandonou esta Igreja.

A escolha de uma logomarca, de um slogan, de um calendário de atividades não é mero exercício de marketing institucional. É um ato de identidade eclesial. É dizer ao mundo: sabemos de onde viemos, sabemos quem somos, e sabemos para onde caminhamos. O Povo de Deus desta diocese — padres e diáconos, religiosos e religiosas, seminaristas, catequistas, líderes de pastorais, crianças, jovens, famílias simples que enchem as igrejas no domingo — todos têm um lugar nessa celebração. O centenário não pertence à hierarquia: pertence ao povo que, batizado e crismado, é ele próprio a Igreja.

Que o vento do Espírito sopre de novo

A Catedral diocesana diz, em pedra e silêncio, o que a diocese é chamada a ser: o Sagrado Coração de Jesus — fonte de amor que se entrega até o fim — e São Francisco de Assis — o homem que ouviu esse amor e partiu, sem mapa e sem garantias, para reconstruir a Igreja. Dois padroeiros, um único programa. Ao ouvir a voz de Cristo no crucifixo de São Damião — "Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja" —, Francisco não entendeu de imediato a grandeza do chamado. Mas foi. E o Coração de Cristo foi com ele. A Diocese de Assis, que leva seus nomes, é convidada a fazer o mesmo: não celebrar o passado como quem fecha um álbum de fotografias, mas abrir as portas do futuro com a ousadia de quem crê que Deus não terminou o que começou.

O centenário, portanto, não é ponto de chegada — é ponto de partida. A logomarca escolhida, o slogan proclamado, o calendário de celebrações: tudo isso só tem sentido se for o prelúdio de uma diocese mais missionária, mais próxima das periferias geográficas e existenciais, mais disposta a ir ao encontro de quem está longe. Celebrar o Jubileu do Centenário é renovar-nos pelo Espírito da Missão, pois cremos que uma diocese que comemora cem anos sem renovar seu ardor missionário corre o risco de celebrar a si mesma em vez de celebrar o Evangelho que a criou, a chamou e a enviou.

Que nossa diocese, formada por padres e seminaristas, consagrados e consagradas, leigos e leigas que são sal da terra e luz do mundo, entre no seu segundo século com o coração de Francisco e os olhos fixos no Coração de Cristo: pobre de si, rica em Deus, e incansável no anúncio. Porque o mundo ao redor continua esperando testemunhas que não apenas conservem a fé, mas a transmitam com alegria e vida.

Cem anos de graça. Cem anos de missão. E o convite que não envelhece: "Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho" (Mc 16,15).

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Texto elaborado pelo Pe. Edivaldo Pereira dos Santos para o Ano Jubilar do Centenário da Diocese de Assis (1928–2028).

 

Conheça o logotipo oficial do centenário:

 

https://www.facebook.com/diocesedeassis/videos/663962943074068

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