Notícia

16 Mai, 2020

6º Domingo da Páscoa - Padre Anderson Santana Cunha

6º Domingo da Páscoa - Padre Anderson Santana Cunha

6º Domingo da Páscoa

 

Neste domingo ouvimos as palavras que Jesus disse na Última Ceia. Às vésperas da sua Páscoa, da sua passagem, Ele nos revela uma grande alegria: nunca ficaremos órfãos!

Essas palavras são muito importantes, pois como foram as últimas, são como que o “testamento” de Jesus aos seus amigos.

E de fato, após a subida aos céus, Jesus cumpre a promessa e envia o Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos. Essas duas realidade serão celebradas nas duas solenidades das próximas semanas: a Ascensão do Senhor e Pentecostes.

Hoje o Evangelho que acabamos de ouvir insiste na palavra “amor”. Esse é o nosso “distintivo”; como disse Jesus: “Nisto vocês serão conhecidos” (Cf. Jo 13,35). Meditemos então, neste domingo pascal, sobre como se comporta aqueles que amam a Jesus. Eis, as suas três características, recolhidas da Palavra de Deus, nos textos bíblicos desta Santa Missa: (1º) guardam os mandamentos, (2º) dão razões da sua esperança e assim (3º) tornam-se morada da Santíssima Trindade.

1. Quem ama: guarda os mandamentos

Amar não é uma simples emoção ou um vago sentimento, é uma decisão! Por isso Jesus relaciona o amor à Ele com um sinal muito claro: viver os mandamentos.

Sem dúvida, a fé cristã não é mais um código de normas morais entre tantos outros, é a escolha (a decisão) por uma pessoa: Jesus Cristo. E escolher Cristo é querer o que Ele quer! E o que Ele quer é que observemos a sua Nova Lei!

Sendo assim, amar é obedecer a vontade de Deus que se expressa no caminho de vida que são os preceitos divinos. Esse é o critério do verdadeiro amor: guardar os mandamentos. Quem ama Jesus faz com alegria a sua vontade. Aqui “amar” e “obedecer” são as duas faces de uma mesma moeda.  

Assim é também dentro de uma casa, na vida familiar: os filhos que amam seus pais lhes obedecem, e isso é causa de grande alegria para todos: pais e filhos! Da mesma forma acontece em nosso relacionamento com Deus. Nossa obediência aos seus mandamentos não só nos fazem muito bem, como também nos torna motivo de glória à Deus.

Muitas vezes não vivemos o que Cristo nos ensina ou porque ainda não o amamos o suficiente, ou porque temos medo de parecer ridículos, de sermos criticados e condenados pelo mundo!

Não tenhamos medo de amar a Cristo e seguir seus mandamentos com uma firme decisão! De fato, que aconteça conosco o que diz o salmista: os “meus conselheiros são os vossos mandamentos” (Salmo 118, 24b).

Não tenhamos medo quando o mundo nos acusa! Também acusaram Cristo! Por isso temos do nosso lado um “Defensor”.

 

2. Quem ama: dá razões de sua esperança

O Espírito Santo, que Jesus hoje nos promete e nos dá, é o Espírito da Verdade. Esse mesmo Espírito que nos torna defensores da Verdade é quem nos faz “dar razões da nossa esperança”, como pede o Apóstolo Pedro, na segunda Leitura.

Mas, como dar “razões de nossa fé” se não a conhecemos? Por isso todo o cristão deve empenhar-se em conhecer o conteúdo da sua fé, ou seja, aquilo que com a Igreja ele crê. Só assim é possível responder quando nos perguntarem em quê e por quê esperamos!

Para isto é preciso estar prontos, a postos, com as respostas bem preparadas, ainda mais nestes dias, em que temos de defender o óbvio!

É o Espírito Santo que leva os missionários para todos os cantos do mundo anunciando a Fé: porque todas as pessoas precisam conhecer a Verdade!

Na Primeira Leitura o Espírito Santo envia o diácono Felipe e os Apóstolos para a Samaria: após conhecerem o Evangelho, acontece o que hoje chamamos de Crisma.

Os bispos daquela época confirmam os irmãos na fé pela imposição das mãos e a oração sobre os fiéis. Estes dois gestos sacramentais acompanham o Sacramento da Confirmação até hoje!

E na pregação missionária do diácono Felipe, diz-nos S. Lucas, “era grande a alegria naquela cidade” (At 8,8). É a alegria do Evangelho, como tanto nos recorda o Papa Francisco!

Por isso não podemos ter medo de anunciá-la aos homens e mulheres de hoje! Eles também aguardam de nós a boa notícia, que de nenhum outro podem receber.

 


É importante acrescentar aqui que nós, os cristãos, mais do que quaisquer outros, devemos ser pessoas otimistas, portadoras de esperança; afinal de contas, Aquele que seguimos morreu, mas ressuscitou! Está vivo! E voltará!


 

3. Quem ama: é morada da Trindade

Deus faz de nós Sua morada, diz Jesus: “eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós” (Jo 14,20). Mas atenção! Esta promessa só se cumpre quando se vive a primeira condição: guardar os mandamentos.

De fato, em nosso batismo, tornamo-nos templos do Espírito Santo, mas é também verdade que toda a Trindade passa a ser “hóspede” da nossa alma.

Muitos santos da Igreja ao perceberem isso mudaram completamente as suas vidas! Que eles nos sirvam de exemplo e de motivação para levar a sério a nossa vida espiritual, na busca da perfeição cristã, que se fundamenta na descoberta de que Deus mora em nós!

Esta presença divina em nossos corações, não é um simples sentimento, mas é uma realidade, ainda que não percebamos. Embora aparentemente seja oculta, essa realidade é perceptível e experimentável. O problema é que estamos tão ofuscados pelas coisas exteriores, que não percebemos a sua ação interior.

Essas “pegadas” da vida divina, podem ser percebidas, por exemplo, quando encontramos a no meio das dúvidas, quando encontramos a força em meio as fraquezas, quando encontramos a segurança em meio aos medos. Isso acontece porque Deus, que está em nós, nos sustenta de tal maneira que tudo isso nunca seria possível se estivéssemos sozinhos!

Que possamos dizer sempre para nós mesmo e para todos: “É Páscoa!”. Isso quer dizer: nada poderá nos assustar ou amedrontar, porque a Vida venceu!

Concluamos com uma breve oração, pedindo: “Vem Trindade Santa, abrasai os nossos corações com o fogo do Vosso amor para guardar os mandamentos! Iluminai as nossas mentes e dai-nos conhecer a Verdade que é Cristo, Nosso Senhor, para dar razões da nossa esperança. Faz de nós Vossa morada e ao mesmo tempo valentes testemunhas da Alegria do Evangelho. Amém”

 

Pe. Anderson Santana Cunha

Pároco da Paróquia São José de Florínea (SP)

Diocese de Assis

 

Fonte: pastorbonus.com.br

 

 

 

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