Notícia

31 Out, 2019

A VIDA ESCONDIDA NA MORTE

A VIDA ESCONDIDA NA MORTE

A VIDA ESCONDIDA NA MORTE

O homem foi criado para uma vida sobrenatural (cf. Ef 1,3-4), mas, “pela inveja do Diabo, entrou no mundo a morte” (Sb 2,24). Em sua liberdade, o ser humano optou pelo pecado, que o dilacerou em duas metades: vida terrena e vida sobrenatural. Após a quebra da amizade com Deus, a vida terrena passou a ter seu sentido velado e incerto, fato que percebemos em nosso dia-a-dia: medo, doenças, falta de sentido, egoísmo, angústia, infelicidade e, por fim, a morte do nosso corpo. Além disso, voltando-se contra Aquele que é fonte e sustento de toda a existência, o homem perdeu a vida sobrenatural, que é a plena comunhão com Deus.

Somente Deus poderia restaurar a imagem do homem dilacerada pelo pecado. Por isso, em sua misericórdia, Ele não nos deixou entregues ao poder da morte, mas enviou seu Filho para abrir-nos novamente as portas do Paraíso, fechadas pela desobediência humana. Em Jesus Cristo, Deus tirou da morte a última palavra. Segundo Hans Urs von Balthasar – teólogo suíço – uma vez que o total distanciamento entre o homem e Deus se dava na morte, pois ali o homem encontrava-se no fim, ou seja, num abismo que não podia transpor, também a ação restauradora de Cristo deveria se dar na morte. Para fazer a experiência do ser humano a partir de dentro e salvar todas as dimensões de sua existência, o Filho de Deus morreu na Cruz e desceu aos infernos. Assim, resgatou toda a humanidade. Para nós, que acreditamos na Ressurreição do Senhor, a morte já não é perdição, mas passagem para a existência em sua plenitude. A vida com Deus nos espera após o término de nossa caminhada terrena!

A comemoração dos fiéis defuntos deve levar-nos a rezar por aqueles que já morreram, a fim de que, libertos de toda culpa, encontrem-se definitivamente com o rosto de Deus. Mas esta celebração também deve provocar em nós uma reflexão acerca da nossa própria vida e o modo como estamos nos preparando para nossa passagem deste mundo para a eternidade.

No Evangelho segundo Mateus (5,1-12), Jesus nos diz que são felizes os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os promotores da paz e da justiça, os misericordiosos, os perseguidos e os puros de coração, porque a eles será dada a alegria de participar da vida divina. Aqueles que, neste mundo, praticarem o amor e a justiça, verão a Deus no Céu, onde não haverá mais dor, tristeza ou perseguição. Portanto, precisamos nos esforçar para cumprir estas bem-aventuranças em nossa vida, sem deixar que nossas escolhas sejam influenciadas pelas sugestões malignas, muitas vezes camufladas de felicidade. Lembremo-nos, irmãos, que somente em Cristo repousa a verdadeira alegria, ainda que o seu seguimento exija renúncias e acarrete incompreensões por parte das pessoas.

“Desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos!” (1Jo 3,1-3). Acreditando nesta afirmação, sigamos na certeza de que, em meio às dores e alegrias deste mundo, caminhamos para o encontro com o nosso Criador, para uma alegria que não podemos conceber neste mundo. A porta para a verdadeira vida está aberta: para atravessá-la basta percorrer o Caminho, que é Cristo.

 

Diácono Danilo Cordeiro - Diocese de Marília

 

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