Mensagem

14 Dez, 2017

5º plano de ação evangelizadora

5º plano de ação evangelizadora

(INTERPRETAÇÃO I)

Caríssimos irmãos e irmãs,

Homens e mulheres de boa vontade,

Filhos e filhas amados da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo presente em Assis-SP,

Que o Espírito do Ressuscitado os fortaleça!

Gostaria de iniciar uma reflexão sobre o nosso 5º Plano de Ação Evangelizadora 2013-2017, após termos publicados em nossos meios de comunicação os três itens componentes do artigo que traz como título Igreja, missão e vida. Aproveito a oportunidade para convocar todos os agentes de evangelização de nossa diocese para que façam uma leitura atenta e meditativa do referido artigo, para constatarmos as tantas coisas belas que a Igreja em Assis já realizou para o bem da porção do povo do Senhor que a compõe e ao mesmo tempo para sentirmos-nos ainda chamados e impelidos a realizar tantas obras, diante das carências que os cristãos enfrentam e sofrem na realidade atual.  A leitura compenetrada, que deve dar asas à nossa imaginação evangelizadora, trata-se de um pressuposto indispensável para compreendermos verdadeiramente o que é a Igreja de Jesus Cristo, sua missão no mundo e sua presença viva e verdadeira em nossa Diocese. 

A extensão literária do 5° Plano é pequena, contudo o seu propósito é grande. Podemos denominá-lo de pequeno e grande Plano. Pequeno porque, como já fora mencionado no início do parágrafo, não apresenta uma vastidão de escritos. Grande porque, o seu escopo é propor-se como diretriz de aplicação do clamor de toda a Igreja da atualidade, com especial atenção, à Igreja presente no contexto latino americano e caribenho. Isso, é o que foi pensado pelo Conselho Diocesano de Pastoral desde o início. Elaborar um plano, evitando-o que fosse repetitivo e cansativo, oferecendo acessibilidade a todos os agentes de nossas comunidades eclesiais, quer essas comunidades estejam situadas em nossas paróquias, quer essas comunidades estejam situadas em outras formas diferentes de ser Igreja, porém todas em comunhão com a Diocese.

As tantas iniciativas da Igreja no tempo presente, que algumas bem podemos elencá-las: Sínodos da Palavra e da Nova Evangelização, Diretrizes da CNBB, o Ano da Fé, as últimas Campanhas da Fraternidade, Jornada Mundial da Juventude, etc. e sobretudo, para o nosso Plano em particular, a V Conferência do Episcopado Latino-Americano e Caribenho realizada em Aparecida-SP no ano de 2007. Os tantos Documentos da Igreja frutos de suas tantas realizações, oferecem a consistência literária de cunho teológico,  pastoral e evangelizador ao nosso 5º Plano. Não esqueçamos que, muitas vezes,  mais rico que os próprios documentos, são as circunstancialidades dessas próprias realizações eclesiais, contudo, o que temos em mãos como prova de fonte, são os registros dos textos documentados.

As conclusões do Documento de Aparecida-SP, em 2007, é o texto que alicerça o nosso Plano, em outras palavras, podemos dizer: o nosso 5º Plano de Ação Evangelizadora é fruto da Conferência de Aparecida, o espírito de Aparecida é contemplado pelo nosso Plano. Sem Aparecida, o Plano não existiria tal como se apresenta. O 5º Plano é um pequeno filho de Aparecida, sobre o qual a mãe tem grande esperança, o qual a mãe não cansa de aconselhar e educar, portanto o filho, deve crescer no meio do povo de Deus como prática evangelizadora para assim corresponder à expectativa de sua genitora.

Amados fiéis, que o Bom Deus os conserve na Alegria da Vitória sobre a morte.

Em Cristo Jesus, Paz e Esperança!

DOM SIMÃO

seu sempre servo, bispo de Assis-SP

(INTERPRETAÇÃO II).

Dando prosseguimento à reflexão sobre o 5º Plano de Ação Evangelizadora, começo pelo final da última publicação em nosso Informativo Diocesano, sobre a qual tomo a liberdade em pedir sinceras desculpas ao caríssimo leitor pela nossa falha. A publicação não fora concluída devidamente em nosso Informativo, porém ao contrário, em nosso “site” encontra-se publicado na íntegra. A publicação em referência termina afirmando com a seguinte frase sem pontuação: “Sem Aparecida, o Plano não existiria”, porém o texto deveria ser publicado da seguinte forma: Sem Aparecida, o Plano não existiria tal como se apresenta. O 5º Plano é um pequeno filho de Aparecida, sobre o qual a mãe tem grande esperança, o qual a mãe não cansa de aconselhar e educar, portanto o filho, deve crescer no meio do povo de Deus como prática evangelizadora para assim corresponder à expectativa de sua genitora. Amados fiéis, que o Bom Deus os conserve na Alegria da Vitória sobre a morte. Gostaria que o dedicado leitor verificasse isso com atenção e conclua logicamente a sua leitura, pois um texto como o nosso, cujo objetivo é transmitir a verdade da fé, uma palavra mal empregada, uma frase omitida, podem trazer um resultado não producente. 

O que devemos deixar claro é que a identidade do Plano encontra sua fonte em Aparecida. Certamente que sem Aparecida, poderíamos ter buscado outras fontes para o Plano. De qualquer forma o Plano poderia existir com ou sem Aparecida. Como Plano simplesmente não depende de Aparecida. No caso nosso, o 5° Plano, por opção de nossa Igreja, junto às instâncias representativas e participação do povo de Deus, achamos por bem adotar o resultado da 5ª Conferência de Aparecida como fonte principal. Contudo, a própria 5ª Conferência, juntamente com nosso Plano, se não forem acolhidos na Fé, pouco ou nada significarão em termos de importância para as nossas comunidades eclesiais. Se os mesmos forem considerados como um amontoado de folhas escritas depositadas em nossas prateleiras ou forem lançados fora para serem queimados, com toda certeza, gastamos um bom tempo e energia em vão. 

O desejo é que o nosso Plano seja entendido como um subsídio orientador que oferece uma proposta de evangelização inspirada na Conferência de Aparecida. A importância não está particularmente nele como se apresenta, mas sim em sua concretização, em seu resultado na vida de fé de nossos fiéis. Trata-se de um subsídio  facilitador, indica o caminho, uma normativa que mostra o itinerário, com toda a sua utilidade, contudo o mais importante,  é a comunidade que deve caminhar e chegar ao destino almejado. Como uma norma de trânsito, cujo sentido não é estar a serviço da empresa de multas, mas sim educar, orientar para que eu dirija com cuidado pela vida e chegue seguro ao meu destino pretendido. De nada vale a norma de trânsito, se o motorista é descuidado, se não deseja viajar ou se é obrigado a viajar e viaje contrariado. A norma pela norma, necessariamente não me leva bem ao destino, o que me leva bem ao destino é meu estado de espírito, minha consciência e responsabilidade com minha vida e com a vida dos irmãos. O Plano não pretende ser uma letra morta, mas que ajude a gerar vida no Espírito. Por isso a insistência, do mesmo ser acolhido, no espírito de Fé. Acredito ser oportuno mencionar as palavras do apóstolo São Paulo quando escreve à comunidade de Corinto: “Foi ele que nos tornou aptos para sermos ministros de uma Aliança nova, não da letra, e sim do Espírito, pois a letra mata, mas o Espírito comunica a vida” (2Co 3,6).

O Plano é incluso ao processo de trajetória comum do Concílio Vaticano II. O Concílio que está sendo comemorado pela passagem de seu quinquagésimo aniversário nesse ano consagrado à Fé, inaugura uma nova jornada da Igreja rumo aos novos tempos marcados pelas tantas mudanças sociais da modernidade e pós-modernidade. O Concilio inaugura o tempo do Espírito. Lança um novo Pentecostes. Tempo de um novo Pentecostes. O novo vai depender do como o Concílio vem sendo acolhido enquanto promotor das verdades da Fé. É tempo de encontro na Fé com o Cristo ressuscitado, nosso verdadeiro Deus vivo e presente na vida de nossas comunidades eclesiais. Isso é celebrar, é viver um novo Pentecostes. “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles”. (Mt 18,20). Crer na Palavra de Fé de Nosso Senhor Jesus Cristo, crer na Fé, com toda a força da alma, do coração e da mente, isso é Pentecostes. Assim nasceu e renasce a Igreja portadora de salvação, corajosa e arrojada frente aos desafios dos novos tempos, sem temor e comodismo deve avançar como testemunha de esperança, pois acredita verdadeiramente que o Espírito de Deus é o Senhor da História. Os sinais dos tempos nos chamam a descobrir os sinais de Deus na História de Salvação. O comportamento cristão deve expressar alegria no anúncio da Palavra, pois a vontade do Senhor Ressuscitado impera, mesmo que enfrentemos situações de trevas e lágrimas, jamais podemos deixar de crer que o Senhor sempre revela-se sempre como o vitorioso, pois Ele é o verdadeiro Rei do Universo.

Amados irmãos e irmãs fiéis do Espírito Defensor, alegrai-vos e animai-vos como o salmista Davi:  “O Senhor é meu pastor, nada me falta. Em verdes pastagens me faz repousar. Ainda que eu caminhe por um vale tenebroso, nenhum mal temerei, pois estás junto a mim; teu bastão e teu cajado me deixam tranquilo”. (Sl 23, 1-2; 4). Queridos fieis, que o Espírito do Bom Pastor os abençoe e os proteja.

Em Cristo Jesus,

Paz e Esperança !

DOM SIMÃO,

Seu sempre servo, Bispo de Assis-SP

INTERPRETAÇÃO III

O 5º Plano de Ação Evangelizadora da Diocese de Assis, apresenta-nos a concepção eclesial conforme crê como verdade de Fé a sã Doutrina Cristã Católica. O conhecimento do Catecismo, e acolhimento do mesmo como verdade de Fé e Vida, é o pressuposto para todo o batizado crente. Contudo, o Catecismo não é suficientemente conhecido.

 Atrevo-me afirmar que nem mesmo é devidamente valorizado e crido por um expressivo número de nossos centros acadêmicos católicos e eclesiásticos. Como tem acontecido em algumas escolas de orientação católica, o estudo de forma mais sistemática do Catecismo Católico está sendo adotado. Bom seria que em nossas Faculdades e Institutos de Teologia fosse implantada uma disciplina própria destinada ao estudo aprofundado do Catecismo. Seria uma atitude arrojada, pois o Catecismo jamais foi  tanto promovido como atualmente, basta citarmos as diversas modalidades literárias e recursos de comunicação em que é apresentado, por  exemplo os catecismos destinados à adolescência e à juventude, catecismos elaborados na linguagem popular, catecismo na linguagem infantil, catecismo no formato de história em quadrinhos, etc.. pensa-se de torná-lo acessível para tantos outros destinatários. 

Em qualquer modalidade que se apresente, no Catecismo encontramos as verdades da Fé correta e segura. É inegável a contribuição oferecida à Ação Pastoral e Evangelizadora. O Catecismo nos revela o Coração de Deus, Coração Divino pleno de amor e misericórdia. Nesse sentido o Catecismo propõe uma confissão cristã totalmente humana e permanentemente inclusiva. Estabelece claramente a coerente sensatez do crente cristão, mostrando a importância equilibrada das tantas tendências radicais, extremistas, fundamentalistas e excludentes. O Catecismo por ser elaborado nas verdades das fontes da Fé, mostra a face de Deus vivo nas pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O Catecismo nos liberta das tantas tendências excludentes presentes  nas religiões, nas ideologias e associações de diversas ordem que tramam contra o bem.

O nosso 5º Plano dependerá muito do Catecismo Católico. Deve estar sempre presente em seus dois níveis de execução: nível de discipulado e nível de missionariedade. Com referência ao primeiro nível, a grande empreitada dirige-se ao necessário investimento quanto à formação permanente, humana integral, destacando dentre os tantos aspectos, o psicológico, o emocional e o físico. Em termos de formação, não poderíamos deixar de também destacar, a acadêmica e especializada. Estamos considerando a formação cristã constantemente implicada com a prática cristã. No campo da Fé cristã a formação sempre está em função da ação do Evangelho, por isso é impossível conceber o verdadeiro cristão, arrojado na fé, e ao mesmo tempo desprovido do compromisso com o próximo e com seus problemas existenciais e sociais. A vida cristã fundamenta-se em duas dimensões interdependentes, não se confundem, mas se refundem. As duas dimensões são tão importantes e necessárias que uma não se destaca sobre a outra, mas ambas constituem a integridade da vida cristã. Com esta visão evitamos a tentação da polarização religiosa. Não só o céu, mas também a terra; não só a terra, mas também o céu. Frequentemente a vida cristã é muito mal entendida, devido a má ou total ausência de formação. É comum em nossa Igreja, certos irmãos e irmãs considerarem-se crentes, mas vivem uma crença polarizada segundo aquilo que lhe convém. Apresentam-se como cristãos católicos autênticos, mas assumem uma crença de conveniência. Há os que contentam-se levar uma vida individualista, intimista, polarizada em um espiritualismo desencarnado da realidade, vivem  felizes numa crença neurótica, defensores de uma visão de Igreja lunática e entorpecida como se a vida real na terra não existisse.  No decorrer da História, sobretudo no período moderno e contemporâneo, não poucas críticas sofreu a religião devido a esta postura inerte diante do aspecto social portador de tantas injustiças aplicadas à vida humana.  Há também os que contentam-se em interpretar a fé meramente voltada às questões históricas e políticas, sem vida de oração, são os promotores de tantos atos sociais desprovidos de espiritualidade, sem nenhum testemunho de vida eclesial e participação nos sacramentos oferecidos pela Comunidade, comprometidos sim com as questões sociais, mas nem mesmo vão à Igreja. Tais atitudes, de ambas partes,  manipulam a Doutrina Católica, acolhem apenas o que vai de encontro aos interesses próprios vivenciando assim uma crença fragmentada, paralela à Fé da Igreja. Tais atitudes detectamos presentes no sujeito pessoal e coletivo de ambas partes, atitudes presentes no comportamento existencial de certos indivíduos, como também de certos grupos eclesiais, movimentos e associações. Tal fenômeno manipula a Igreja, faz dela um instrumento ingênuo e útil como força de respaldo para outros interesses pessoais ou de grupos. Tal fenômeno pode ser explicado pela falta de formação cristã, o que leva aos não poucos abusos de ambas partes, à intolerância e à vivência de uma crença amarga e sem esperança. 

A formação cristã deve objetivar o amadurecimento de uma Fé ardente em Deus e ao mesmo tempo comprometida com a defesa da vida humana em quaisquer circunstâncias. Vida plena e abundante é o grande propósito da Formação cristã que pensamos. Formação cristã que assuma o escopo em preparar na força do amor cristão verdadeiros e corajosos discípulos defensores de sua Fé e de sua Igreja. Cristianismo não é uma religião qualquer, cristianismo é vida de Fé no Mistério de Deus.  Senhor, aumentai a nossa fé (cf. Lc 17, 5).

Em Cristo Jesus, Paz e Esperança!

DOM SIMÃO

INTERPRETAÇÃO IV

O nosso 5º Plano de Ação Evangelizadora contempla dentre os destinatários a base eclesial, os tantos irmãos e irmãs fiéis católicos, os quais denominamos de leigos e leigas. Os tantos fiéis provindos das comunidades, associações e movimentos formam o povo de Deus. Esse povo chamamos de laicato. A partir dessa base eclesial extraímos as tantas vocações voltadas ao discipulado e missionariedade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa porção de povo que forma a Igreja Particular dentre tanta carência que sofre, o 5º Plano constata a falta de um maior e melhor investimento em sua formação integral. Nessa reflexão, devido sobretudo pelo contexto atual, cremos ser oportuno destacar a necessidade de formação nos campos da Fé e Política. Duas dimensões que gozam de autonomia, não obstante suas condições inseparáveis para a Doutrina Católica.  Nessas mencionadas dimensões os fiéis cristãos católicos ocupam um lugar próprio reconhecido pela Doutrina da Igreja em suas vertentes na fé e no social.Particularmente,  atendo-se ao social que oferece uma abordagem panorâmica sobre a vida humana em sociedade, situa-se o mundo da política, que é um lugar privilegiado que clama pela atuação do laicato cristão, cuja obra encontra sustentabilidade nas fontes da fé.

Por sua natureza o ser humano é um ser político, o que o diferencia dos demais seres vivos da realidade. É político porque vive em sociedade, e é impossível nela viver sem a utilização dos mecanismos políticos enquanto mediação imprescindível voltada à efetivação do bem comum. A condição política do ser humano em sociedade é imperativa, ela se impõe e é inevitável descartá-la. A atuação política é constante e permanente da existência humana em sociedade.  A vida em sociedade tem sua grande expressão na cidade, onde concentra-se um maior número de pessoas que estabelecem através de normas e de bons costumes um pacto de boa convivência. Isso é possível através da ciência política e sua aplicação. Conquistar cidadania é evoluir na ciência política e atuar através da mesma com determinação, aspirando mais paz, honra, honestidade, respeito, amor e esperança. A pessoa humana que vive em sociedade e se considera apolítica está enganando a si mesma, pois de uma forma ou de outra, todos nós fazemos política até mesmo no período do repouso mais prolongado. Dessa condição naturalmente humana os cristãos não estão isentos.

A nossa pretensão até o momento foi apresentar uma breve introdução para o que propomos abordar em seguida, ainda que, sobre tal assunto devamos aprofundar a análise, pois o mesmo é digno de um estudo mais consistente. Ultimamente temos sido surpreendidos com a onda de manifestos que vêm marcando o cenário da vida brasileira. O regime político que propõe-se democrático é tolerante aos manifestos, sobretudo àqueles que reivindicam verdadeiros direitos humanos favoráveis pela defesa da vida, pois no mundo pós-moderno, nem tudo que se reivindica em nome dos direitos humanos é em defesa da vida em sentido amplo. Os manifestos que solicitam medidas sociais mais justas em favor da vida compreendida em seu sentido pleno, não só devem ser tolerados, mas assumidos e promovidos, pois significam a  forma portadora de elevada qualidade de se fazer política. Significam avanço em termos de consciência política popular. A manifestação pública é uma modalidade de se atuar politicamente. As manifestações públicas são consideradas um recurso democrático de se exercer a vida política compreendida no sentido estrito. Fazer política é muito mais que participar de campanhas em tempo de eleição e concorrer às funções públicas. O grande problema é que muitos considerados políticos não entendem de política e nem para o que ela serve. A participação política de forma estrita, mais sublime que a forma restrita, trata-se de uma modalidade que não objetiva em princípio a concorrência de ocupações públicas, mas de mostrar o poder do povo unido em torno de propósitos fundamentais, assim sendo extrapolam as instâncias partidárias e suas campanhas eleitoreiras não desprovidas de corrupção, fraudes,  propinas e esbanjamento dos impostos públicos.   Beneficiando-se do aparato democrático, as manifestações devem acontecer num clima respeitoso, caso contrário, elas traem o sacrifício do progresso democrático. Democracia exige muito sacrifício, não é simplesmente oferecida, e sim conquistada com muita dor, muito empenho, patriotismo e amor. Por isso as manifestações legítimas devem comportar-se de forma ordeira, objetivando sempre o bem comum. Assim sendo, é inaceitável as infiltrações de grupos ferozes e desordeiros junto às manifestações e que as mesmas sejam acompanhadas de ações violentas, causando não pouco perigo à segurança pública e elevados prejuízos causados pela destruição de patrimônios públicos e privados. Tais prejuízos acabam sendo pagos pelo próprio povo. Na sociedade pluralista e democrática é preciso respeito à cidadania, aos bens de direito público e privado.

A questão pertinente é se os cristãos católicos devem participar de tais concentrações populares. Os cristãos católicos, chamados a exercerem o seu compromisso na sociedade em que vivem, dando exemplo de fé e de cidadania, são também responsáveis pelo aperfeiçoamento do estado de direito, não se conformando passivamente com a corrupção presente na estrutura dos poderes públicos. A postura cristã católica favorável à reforma política tão necessária e urgente para a nação brasileira encontra respaldo na Doutrina Social da Igreja. É importante que os católicos participem de manifestações, mas não de quaisquer manifestações. Para que os cristãos participem conscientemente são precisos critérios claros, bem definidos e que não contrariem as verdades anunciadas pelo magistério infalível da Igreja. Na sociedade democrática e pluralista a tolerância pelos diversos matizes de pontos de vistas é legítima, contudo a Igreja que também muito tem se esforçado pelo alcance de uma democracia mais efetiva no solo brasileiro, não é obrigada a aceitar quaisquer pontos de vistas, especialmente aqueles não sintonizados com a Palavra de Deus e com as verdades de Fé contidas no Catecismo da Igreja Católica. Portanto, o ponto de vista da Igreja também deve contar com o devido respeito pelo valor democrático da sociedade brasileira.  Infelizmente, algumas  manifestações têm-se sucedidas de forma ampla e genérica, apresentando muitas vezes um panorama de reivindicações isentos de objetividade racional, tornando assim as reivindicações um tanto vulneráveis e confusas, pois numa única frente de protestos encontramos um universo de propósitos incompatíveis, ou seja, um tanto fragmentados. As manifestações precisam amadurecer-se, para isto que, junto ao povo em geral, o povo Deus também precisa ser melhor formado na vivência de fé e de compromisso com a mudança social.

Sobre o presente assunto, concernente à formação do laicato, conforme os primeiros destinatários de nosso 5º Plano de Ação Evangelizadora, retornaremos a refletir possivelmente na próxima oportunidade.

Em Cristo Jesus, Paz e Esperança !

DOM SIMÃO